"Rio, 6.Maio.2009Estou aqui, em meio às organizações diversas para as viagens do final de semana, mais os preparativos iniciais para a viagem para Europa, na semana que vem, meio já sofrendo por antecipação a distância do meu filho, da minha cama - enfim. Decidi tomar um respiro para escrever sobre a Virada Cultural.
Não consegui escrever antes porque, no dia da Virada, domingo, fiquei um tanto quanto extasiada, que fiquei "quicando" pelo quarto do hotel. Nem lembrei que estava com o computador comigo, até o dia seguinte de manhã, quando fechava as malas, minha e de meu filho, mais as mochilas, minha e de meu filho, e vi o pobrecito sentadinho em cima da mesa, todo fechado, apagado. Mas daí a correria e loucura se instalam, e quando dei por mim, já era agora. Ha!
Mas, a Virada... AH, a Virada... Posso falar? Me deu vontade de tirar foto do rosto de cada uma daquelas pessoas ali, daquelas bocas cantantes, dos sorrisos, dos olhos brilhando, dos olhares contemplativos, curiosos. Das pessoas nas varandas dos prédios, das pessoas lá longe, nas ruas laterais, nas sacadas. Vontade de congelar aquele momento. Nunca tinha me sentido assim no palco. Era tal a minha alegria. Satisfação.
Acompanho pela imprensa a Virada Cultural desde que começou, há cinco anos. Sempre morri de inveja de nunca ser convidada, sem nunca deixar de admirar o evento em si... Mas qual não foi minha surpresa ao ler, na segunda-feira, um comentário do Zé Mauro Gnaspini, organizador e curador do evento, que disse que há anos tentava me levar pra Virada, sem sucesso. Quase tive um treco! Deu bem vontade de arrumar o telefone dele, só para dizer que eu nunca sequer soubera do interesse da organização! Eu, por mim, era madrinha do negócio todo.
Sou tarada por cultura: música, literatura, gastronomia, teatro, tudo! Todas as suas manifestações. Sou do tipo curiosa insaciável, que não se cansa nunca de provar de tudo o que há, e a Virada Cultural me serve muito bem esses desejos indomáveis!
E, para completar a alegria do convite, a responsabilidade de cantar no fechamento, no palco principal, me encheu de sentimentos de responsabilidade. Me deu frio na barriga, e o fato de ter dado algumas entrevistas antes de entrar no palco me ajudou. Me ajudou porque me emocionei no backstage, com aquelas perguntas que só reporter sabe fazer, sabe, daquelas bem sensacionalistas? Logo meu olhos encheram d'água, e me restou concentrar um tanto mais para entrar. No entanto, confesso: estava tão legal ali em cima, que o meu extravasar se deu em forma de canto, unica e exclusivamente.
Sem muitas firulas mais, posso, sossegadamente, declarar que nem tenho muito mais o que dizer, fora isso: a minha vontade predominante foi de congelar aquilo ali. Não cansei, não sofri, saí leve - mas também não rodei o suficiente, não corri o suficiente, e a sensação que ficou foi a de que não cantei o suficiente. Quando saí, senti que poderia ter ficado ali mais algumas horas.
É isso aí. Aproveito para agradecer, mais uma vez, à organização da Virada, aos fãs sensacionais e guerreiros e carinhosos que lá estiveram, aos emails e posts calorosos. E em frente vamos sempre, que atrás vem gente à beça!
Bjobjo,
MR"
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