01/06/09 - Terra
Com exceção de Maria Rita, que já surgiu pronta num caso raro de talento nato herdado da mãe, Luiza Possi é, de todas as filhas de cantoras que tentam se firmar na carreira, a que mais tem evoluído a cada disco. Seu quinto CD, Bons Ventos Sempre Chegam, atesta os progressos da filha de Zizi Possi. Nas lojas esta semana, o álbum se impõe pelo tom delicado e acústico.
Elegante como o fraseado da afinada Luiza, a sonoridade do CD é mérito de Max Viana, produtor do disco. Já na faixa de abertura - Vou Adiante, versão feita por Chico César de tema do cantor africano Lokua Kanza - percebe-se a intenção de fugir do pop pasteurizado que impera nas rádios (Lokua pôs sua voz na versão). Contudo, verdade seja dita, Bons Ventos Sempre Chegam também ronda este pop insosso em faixas como De Graça. Mas não se rende a ele.
Trata-se do trabalho mais autoral da jovem cantora. Luiza Possi se aventura como compositora e assina seis das 13 faixas do CD, sendo cinco em parceria com Dudu Falcão. Como produtor, Max Vianna soube valorizar esse material ainda irregular. Basta ouvir o registro de Eu Espero, muito superior à versão apresentada pela cantora em shows desde o ano passado.
O disco brilha sobretudo nas faixas urdidas no tempo da delicadeza. Caso de Cantar, cujos sons parecem tirados de uma caixinha de música. Cantar é da lavra de Godofredo Guedes, pai de Beto Guedes. Minha Mãe é outra faixa que prima por harmonioso tom suave. Entre boa inédita de Moska (Agora É Tarde) e parceria mediana de Samuel Rosa e Chico Amaral (Ao meu Redor), Luiza Possi vai crescendo e aparecendo. Vou Adiante, nome da faixa que já rendeu clipe filmado nos EUA, bem poderia ser o título de seu quinto álbum.
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