Livrevista
Em 2002, Maria Rita causou um fervor na imprensa ao aparecer no espetáculo de Chico Pinheiro, Meia-Noite, Meio-Dia, no Supremo Musical, em São Paulo. Um ano depois, lançou seu primeiro álbum, fazendo grande sucesso junto ao público.
Agora, com três discos lançados, dvd’s, muitos fãs e vários prêmios (entre eles: 3 Grammy’s, Disco de Platina, DVD de ouro), Maria Rita conquistou o seu lugar no cenário musical, independente de comparações.
Antes de começar a cantar você se formou em Comunicação Social nos EUA. Quais eram as suas aspirações nessa época? Pensava em exercer o jornalismo?
Quando entrei na faculdade procurava o curso de jornalismo, mas fui informada que aquele curso seria mais voltado para jornais, e meu lance era mesmo revista e afins. Comunicações Sociais é, naquela faculdade, mais abrangente, oferecendo um diploma que me permitiria trabalhar em campos diferentes. Logo no primeiro ano desisti de jornalismo. Comunicações me abriu para o entretenimento, para direito, para outras coisas que, àquela altura, eram mais sedutoras.
Na mídia hoje, vemos muitas reportagens apelativas, programas sem muito sentido e jornais visando mais o lucro do que a qualidade. Com isso, quem perde é a população, que não pode fazer muita coisa para mudar essa situação. Qual a sua opinião em relação a esse panorama da imprensa? Há maneiras de reverter essa situação?
No sentido moral da questão, não há dúvidas que se pode reverter essa situação. No sentido prático, acho mais delicado pelo simples fato da culpabilidade não achar o seu lugar, ou seja, ninguém é culpado. Eu sou da escola que acredita que a mídia tem uma responsabilidade com seu público (questão moral e ética da discussão). Porém, a mídia segue dizendo que dá ao público o que o público quer. Fica complicado reverter enquanto essa mentalidade leviana permanecer dominando a mídia. E, vale lembrar, quando falamos em "mídia" não estamos falando de uma coisa concreta: a "mídia" são as pessoas que a faz. Falamos de mídia como um algo concreto quando deveríamos falar daqueles que fazem a informação.
O Brasil não investe tanto em cultura como o desejado, mas há sinais de que esse cenário possa estar mudando. Você como participante da cultura brasileira acha que isso realmente está acontecendo ou essas ações não são muito concretas?
Eu sou otimista e acho que qualquer passo é um passo adiante. O que não pode é parar, paralizar, amendontrar. Estamos indo em direção a algum lugar. Mas é um caminho longo até um ideal, estamos recomeçando nossa história cultural, depois de anos de amarras.
A música brasileira muda constantemente, com revelações surgindo e sumindo no cenário nacional. A sua carreira dura já faz alguns anos e tem fôlego e fãs para muito mais. Qual deve ser o “jogo de cintura” do artista para se manter vivo e ativo?
A sua verdade.
As pessoas pensam que ser cantor não dá trabalho algum, é só subir no palco e cantar. No seu Twitter você cita várias reuniões e outros compromissos. Como é a sua rotina quando não tem shows? Outras responsabilidades além de subir no palco e cantar...
Profissionalmente, todas: site, cenário, programação de carreira, entrevistas, reunião com gravadora, figurino, audição, estudo de música, leitura, enfim. Pessoalmente, também todas: mãe, dona-de-casa... É correria pura, mas sou ligada no 220...
A cantora Ana Carolina, em uma declaração logo após um show seu, disse que acha muito legal a comunicação e a ligação que você tem com o público e fãs. Como foi essa conquista? Ter uma grande influência na vida de pessoas que você nem conhece, mudou alguma coisa na sua forma de pensar?
Não... Eu fui criada por artista (meu pai) e essa relação de respeito com o fã sempre existiu e sempre foi conversada em casa. A responsabilidade de fazer parte de pessoas as quais eu nem conheço, como você colocou, sempre foi muito falado em casa. A responsabilidade de fazer o seu melhor e mais um pouco para aquele público que economiza uma grana para ir ao seu show, por livre e espontânea vontade, também. A relação com o fã sempre fez parte da minha vida, e eu aprendo muito só de olhar. Agora, a conquista, a qual você se referiu, é que, para mim, é, até hoje, um mistério... Prefiro não entender muito, mas às vezes me pego perguntando, "por que eu?" E por isso que é melhor não pensar muito, senão eu piro. Eu sou apenas um canal...
E por último, sobre essa turnê. Você já está na estrada faz um tempo com a turnê Samba Meu, e percebemos que você se mostra mais leve, mais confiante com você mesma. O que você vai tirar de toda essa experiência?
Eu nunca me senti insegura no palco. Frio na barriga sempre tenho, mas nunca insegurança. Sempre senti que o palco é a minha casa, é onde eu mais me sinto dona de mim. O que se vê hoje é decorrência de um amadurecimento na minha vida pessoal, de coisas minhas, uma serenidade que a maturidade e a maternidade estão me trazendo.
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