06/03/09 - PalcoBr
“É verdade que os ingressos acabaram em duas horas?”, perguntou Maria Rita, descrente, ao público que lotou o teatro do Sesc Pinheiros, em São Paulo. Em coro, a platéia confirmou. Cerca de um ano após estrear, no Rio, Samba Meu provou, na última quinta-feira, ser não apenas um espetáculo consagrador, mas um projeto de fôlego, duradouro. Uma produção que transformou a então diva paulistana em uma carioca cheia de ginga - na voz e nos pés, claro.
“Meu samba vai lhe acordar do sono”, prometeu Maria Rita, a capella, ao abrir o espetáculo. Sem dúvida, a promessa foi cumprida. Durante quase uma hora e meia, defintivamente, ninguém dormiu. Empolgada, a platéia do Teatro Paulo Autran fez coro à cantora, desde O Homem Falou até Não Deixe o Samba Morrer, que encerrou a noite com dignidade. No total, foram vinte números apresentados, enquanto cerca de duas mil mãos balançavam no ar, batiam palmas ou batucavam nas poltronas. Ninguém dispersou.
Com exceção de Novo Amor, que não apareceu no setlist da quinta-feira, Maria Rita apresentou no Sesc Pinheiros um espetáculo idêntico ao captado em junho de 2008, no Vivo Rio, e transformado em DVD. Logo, o incêndio causado pela percussão em O Homem Falou - pérola de Gonzaguinha, que ganhou infeliz remix nas FMs - esquentou o palco para as gostosas Tá Perdoado e Maria do Socorro. Gostosa, inclusive, foi um dos adjetivos empregados pela platéia para atrair a atenção da descontraída intérprete.
No segundo bloco do espetáculo, os arranjos de Jota Moraes, assim como os grafites de Spetto, acompanharam o jogo de luzes, que esfriou para acompanhar o lado intimista de Maria Rita em Trajetória, O Que É o Amor e Cria. Sem sair do tom, ela recorreu ainda ao - insuperável - Segundo, de onde trouxe Recado, Caminho das Águas e a visceral Muito Pouco. Lançado em 2003, o álbum de estreia da artista também não a abandonou. Passaram pelo palco Pagu, Cara Valente, Encontros e Despedidas e A Festa, que preparou a volta à cena da cantora, com uma roupa deslumbrante.
Se no DVD Samba Meu, Maria Rita está em melhor forma do que no álbum homônimo, lançado em 2007, no palco do Sesc Pinheiros, ela surgiu plena, impecável. Passava das 22 horas, quando a cantora trocou a generosa saia roxa e amarela por um vestido brilhante, que fez Corpitcho soar oportuna e óbvia, imprescindível. Tão acelerado quanto a abertura, o último bloco trouxe ainda Casa de Noca, Num Corpo Só, Maltratar Não É Direito e Conta Outra. Porém, antes de se despedir, Maria Rita deixou ao público, tão novo quanto ela, um - aguardado - pedido final. “Não deixe o samba morrer.”
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